O plenário da Câmara concluiu, na noite de ontem, a votação do Projeto de Lei 1992/07, do Executivo, que institui a previdência complementar para os servidores civis da União e aplica o limite de aposentadoria do INSS (R$3.916,20) para os admitidos após o início de funcionamento do novo regime. A matéria, que recebeu o voto contra do Democratas, ainda será analisada pelo Senado.
Líder do Democratas, ACM Neto tentou melhorar o texto apresentando destaque com o objetivo de proteger os trabalhadores, responsabilizando a União a arcar com o benefício a que fizer jus o servidor se o fundo do qual participa não o fizer. O destaque foi rejeitado por 275 votos a 111, pois a base governista, comandada pelo PT, que se dizia defensor dos direitos dos trabalhadores, tem ampla maioria.
Neto explicou a posição do Democratas em encontro com representantes do Sindifisco, na Câmara, ontem.
O texto permite a criação de três fundações de previdência complementar do servidor público federal (Funpresp) para executar os planos de benefícios: uma para o Legislativo e o Tribunal de Contas da União (TCU), uma para o Executivo e outra para o Judiciário.
O plenário rejeitou 12 dos 13 destaques apresentados pelos partidos, que pretendiam fazer mudanças no texto.
Em discurso no plenário, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) lamentou a aprovação do projeto que cria a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal. Resumindo a posição de todo o partido, ele afirmou que a criação do fundo, além de não resolver o problema do déficit da previdência, vai prejudicar a boa qualidade do serviço público.
"Deveríamos avançar na questão do déficit da previdência e não privatizando a gestão de recursos que são dos servidores públicos, e não tirando recursos que hoje ajudam a financiar obras públicas e entregando ao setor privado", protestou.
Rodrigo Maia criticou ainda o Partido dos Trabalhadores por apoiar um projeto que vai contra o servidor público.
"O que estamos vendo aqui é uma convergência de partidos em uma tese equivocada. Me admira muito o PT, que tanto defendeu o servidor público, a boa qualidade do serviço público, jogar a sua história fora por um fundo que não resolverá o problema da previdência", concluiu.

Nenhum comentário:
Postar um comentário