quinta-feira, 19 de abril de 2012

Juvenalito Gusmão: “As oposições precisam ter juízo”

O engenheiro Juvenalito Gusmão de Andrade é uma daquelas personalidades políticas locais a quem se pode atribuir, sem constrangimento, a alcunha de carlista puro-sangue – no caso dele, a condição é declarada. Esteve sempre na linha de frente do batalhão de críticos do Partido dos Trabalhadores. Em entrevista hoje à tarde ao Blog do Fábio Sena, ele mostrou que continua com a língua afiada quando o assunto é a administração petista e afirmou que o poder público municipal não consegue implementar uma política de desenvolvimento, estando a reboque da iniciativa privada. 

PODER PÚBLICO E INICIATIVA PRIVADA: “Conquista já começou pensar grande, mas a Conquista do setor privado, da livre iniciativa, do setor educacional, do setor empresarial, do setor da construção civil, do agronegócio. O setor público não tem acompanhado, tem ido a reboque. Primeiro a livre iniciativa vem depois vem o poder público, porque não tem jeito. É uma pena porque existem alguns planejamentos, algumas ações públicas que há muito tempo deveriam ter sido realizadas”. 

PLANO DE DESENVOLVIMENTO: “A cidade precisa de um plano de desenvolvimento sócio-econômico, não um plano de desenvolvimento urbano. Deve-se planejar para onde se quer levar Conquista, uma cidade que tem um potencial e que não se pode permitir que ações pontuais desse ou daquele setor comece a nortear o crescimento da cidade, que deve ser feito em discussão ampla entre o poder público e a livre iniciativa”. 

GOVERNO E EMPRESÁRIOS: “O poder público parece que tem medo de conversar com a livre iniciativa ou que a livre iniciativa é inimiga da cidade. É o contrário, é quem faz a cidade. A beleza da cidade que nós temos hoje… estão aí as construções – e eu tive a honra de ser precursor de tudo isso – e eu vejo com grande alegria como essa coisa se desenvolveu em Conquista. O poder público tem participado, chega com asfaltamento de ruas, mas não chega com a promoção da cidade. Então, Conquista é uma região metropolitana, mas deve agir como tal; não adianta um deputado apresentar um projeto como apresentou transformando Conquista numa região metropolitana. São necessárias ações públicas que realmente transformem a cidade numa região metropolitana”. 

COMPORTAMENTO DAS OPOSIÇÕES: “Eu espero que aja juízo, bom senso e amor à cidade. Não adianta ninguém querer mostrar que tem mil, 2 mil ou 30 mil votos, não adianta ninguém querer colocar a vaidade pessoal acima de qualquer coisa. Quem da oposição tem melhores condições? Então terão que todos os partidos para saber que tem mais viabilidade eleitoral e esse terá que ser o candidato”.

O VICE DAS OPOSIÇÕES: “Vamos buscar um candidato a vice que some, que cubra até as deficiências que esse candidato possa ter, porque ninguém é completo. Eu fui candidato a prefeito e nunca me achei um homem completo. Todo mundo tem o direito de colocar seu nome à apreciação, mas não tem o direito de impedir que o companheiro seja mais fortalecido com mais tempo na televisão, somando idéias. Vamos identificar as coincidências e vamos discutir as divergências com responsabilidade”. 

O EMBATE: “A minha posição tem sido essa. Não quero que a coisa vá para o pessoal. Nada tenho de pessoal, por exemplo, contra o prefeito Guilherme Menezes; pelo contrário, temos relação cordial, mas politicamente ele está num lado e eu no outro. Tenho que mostrar que o projeto dele já se esgotou. Ele teve um projeto para a cidade? Teve. Ele fez benefícios à cidade? Fez. Mas acabou e é hora de pensar coisa nova. Pensar grande, Conquista”. 

O DISCURSO: “As oposições precisam apresentar um candidato que tenha um discurso novo, um projeto novo. Esse projeto que está na quarta vez já é um projeto desgastado. As mesmas coisas; a Prefeitura não tem diálogo com ninguém”. 

JUVENALITO CANDIDATO: “Eu realmente acho essa coisa de você pegar um nome de última hora e tentar encaixar não funciona. Foi o que aconteceu com minha candidatura em 2000. Eu não era candidato. Eu tinha tentado ser antes e não tinha conseguido. Na última hora, por uma questão de divergência entre os partidos, terminou em saindo sem nenhum preparo. Eu posso colaborar, mas não quero ser candidato, até porque deve ter proposta até mais nova do que a minha. As minhas propostas são boas, mas existem coisas novas”. 

RECOMENDAÇÃO: “Eu aconselho a todos os partidos de oposição juízo. Não adianta ninguém querer por vaidade pessoal ser candidato. Há uma chance muito grande das oposições serem vencedoras nessa eleição, mas é preciso ter juízo, porque já teve essa chance antes e foi jogada fora. Em 2004, com Coriolano, foi jogada fora, também por questões de vaidade. Se não tiver juízo, vamos ter um projeto velho, desgastado, por mais quatro anos”.

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